sexta-feira, 6 de março de 2009

Mulheres: ainda precisamos de um dia?

Em 08 de março celebra-se o Dia Internacional da Mulher nos 4 cantos do planeta. Propagandas, comerciais, músicas, luzes cor-de-rosa sobre monumentos, seminários, convenções, encontros... tudo voltado para a comemoração da data. Mas, afinal, é mesmo necessário marcar uma data para celebrar as mulheres?

Desde 1910, ano da II Conferência Internacional de Mulheres na Dinamarca, vários países comemoram a data em homenagem às mulheres. Instituído oficialmente pela Organização das Nações Unidas em 1975, o dia foi escolhido em memória às operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque que, em 08 de março de 1857, realizaram uma greve reivindicando melhores condições de trabalho, redução da carga diária, equiparação de salário com os homens e tratamento mais digno. Reprimida com total violência, a manifestação resultou na morte de todas as tecelãs, que foram carbonizadas no interior da própria fábrica. Assim, o objetivo da data não se resume à comemoração, mas suscita uma reflexão acerca do que se passou e da situação feminina nos dias de hoje. Por todo o mundo realizam-se conferências, debates e reuniões para discutir o papel da mulher na sociedade atual, como meio de incentivar sua valorização e reconhecimento.

Clique na imagem para ler "No silêncio das fêmeas", de Osias Ribeiro Neves.

Historicamente, as mulheres precisaram de autorização para tornarem-se cidadãs. No Brasil, só alcançaram o direito ao estudo fundamental em 1827 e ao ensino superior, em 1879. Para votar e serem votadas, precisaram aguardar o Novo Código Eleitoral promulgado por Getúlio Vargas em 1932. O movimento feminista se fazia presente desde o início do século XX em pontos diferentes do mundo e espalhou-se de maneira mais contundente em meados da década de 60, com o advento da pílula anticoncepcional. Era mal visto por boa parte da sociedade, por vezes questionado com veemência pelas próprias mulheres, que não viam sentido em “competir” com os homens e “abandonar” as tarefas do lar. Os homens, por sua vez, não viam com bons olhos as mudanças na maneira de vestir, de se comportar e sobretudo de discordar das mulheres, que acreditavam ser possível não depender da autorização de pais ou maridos para decidir o que fazer de suas vidas. Foi um tempo de efervescência cultural e de profundas transformações sociais no mundo ocidental, estendendo-se até meados da década de 80.

De lá para cá, por incrível que pareça, ainda existem mulheres que enfrentam esses desafios em seu cotidiano, seja nos rincões do interior do Brasil ou em países com tradições culturais que submetem as mulheres a situações de dor e sofrimento. Nos dias atuais, as diferenças salariais e de oportunidades de trabalho entre homens e mulheres permanecem, ainda que escamoteadas ou já em processo de redução. Mas cresce a cada dia o número de pessoas que mais do que acreditar na igualdade dos gêneros, age em prol das mudanças que se fazem necessárias. Afinal, homens e mulheres são mesmo diferentes, mas são fundamentais para compor a espécie humana. A convivência harmoniosa entre os gêneros nunca foi tão desejada e necessária em todo o mundo. Enquanto essa meta não for alcançada, precisaremos sim de ao menos um dia do ano para refletir sobre essas questões e celebrar o que já foi conquistado.Texto de Isabella Verdolin e Natália Boaventura.

1 comentários:

Anônimo disse...

Muito interessante!! Gostaria de saber mais sobre o papel da mulher no escritório: em um cotidiano administrativo que exige cognição e raciocínio lógico, além de tarefas "pouco intelectuais" as quais a mulher era condenada a exercer por sua condição social, desde o início do século XX até os dias atuais. Se tiver algo do tipo por favor me mande: malu_carneiro@yahoo.com.br

Desde já agradeço!