Internacionalmente, o Brasil é famoso por seu futebol e carnaval. Ainda que o futebol não dê mais tantas alegrias, o carnaval continua sendo uma das festas mais bonitas e ricas em diversidade de todo o mundo. Reunindo ritmos, tradições, cores e costumes dos mais diferenciados, o “país do carnaval” quase pára durante o período de festas, tamanha é a magnitude e a alegria que a ocasião promove. A cidade do Rio de Janeiro, em especial, atrai turistas de todas as partes do globo, encantados com as músicas e os desfiles que ocorrem todos os anos no Sambódromo.
No Brasil, o primeiro baile de máscaras aconteceu no Rio de Janeiro, no ano de 1840, no Hotel Itália, pela influência dos famosos bailes da Europa. Apesar do sucesso dos bailes de salão, foi através do povo que o carnaval brasileiro adquiriu as principais características que carrega hoje. Os blocos e cordões, grupos formados por pessoas de várias raças e origem humilde que, posteriormente, fizeram nascer as escolas de samba, surgiram ainda antes da passagem para o século XX. Os primeiros grupos carnavalescos, chamados de “Grandes Sociedades”, foram criados em 1855 e, além de se reunirem para a comemoração do carnaval com músicas e carros alegóricos, estavam também ligados a movimentos cívicos, sendo os precursores da festa atual. O grande marco do carnaval de rua talvez tenha sido a marchinha de Chiquinha Gonzaga “Ô Abre Alas” (1899) que, além de ter sido inspirada num cordão carnavalesco do bairro Rosa de Ouro, foi a primeira música feita especialmente para o carnaval. Como capital que era, o Rio de Janeiro ditava a moda – e hoje ainda é referência nos meios de comunicação. Com letras divertidas, melodias simples, alegres e andamento acelerado, as marchinhas caíram no gosto popular e muitas vezes funcionaram como uma espécie de crônica musical da cidade. Com o novo século, as inovações vieram também no carnaval. Em 1907 surgiu o “Corso”, um desfile de automóveis que, durante as primeiras décadas do século XX, foi uma das principais atrações do carnaval carioca, trazendo mulheres fantasiadas, flores, confetes e serpentinas.
A primeira geração do samba, formada por nomes como Donga e Pixinguinha, ficou conhecida como o “samba da Cidade Nova”, que se aproximava levemente do choro. Como gênero musical, só se consagrou quando foi gravado pela primeira vez, no ano de 1917. O “samba da Cidade Nova” era mais apropriado para a dança de salão, enquanto que o desfile de carnaval, propriamente dito, pedia músicas que movimentassem o corpo e permitissem que os foliões andassem e brincassem de forma simultânea. A turma de sambistas do bairro Estácio de Sá criou o “Deixa falar” em 1928, um bloco cujos sambas entoados assemelhavam-se aos atuais e que acabou sendo conhecido como “escola de samba”, pelo fato de seus fundadores serem os “professores” do novo ritmo.
Nos anos seguintes, as marchinhas e o samba dividiram pacificamente o espaço na música brasileira e nos carnavais da cidade maravilhosa. Consagrada nas vozes de Carmen Miranda, Silvio Caldas, Dalva de Oliveira, Mário Reis, Jorge Veiga, Almirante e Black-out, a marchinha viveu seus anos áureos na década de 30. Grandes compositores renderam-se aos seus encantos e perpetuaram sucessos, como “Com que Roupa?”, de Noel Rosa; “Linda Morena”, de Lamartine Babo; “Eu Dei”, de Ary Barroso e “Chiquita Bacana”, de João de Barro, o Braguinha, entre tantas outras que são entoadas até hoje e não podem faltar no carnaval brasileiro.
O Carnaval passou a ser assunto do Estado brasileiro quando o governo Vargas criou Departamentos de Turismo nos estados, que passaram a ter um papel cada vez mais centralizador das folias de carnaval. As escolas de samba foram um importante canal de comunicação do governo com as camadas mais pobres da sociedade, instituindo em 1933 o famoso Rei Momo e, quatro anos depois, lançando um decreto que determinava às escolas de samba que dessem um caráter histórico e patriótico aos sambas-enredo.
Durante as décadas de 1940 e 1950, as escolas se desenvolveram gradativamente e buscavam, em meio a toda a população, maior aceitação e estruturação de uma imagem mais sólida. Nos anos 60, firmam-se como elemento não só cultural, mas também rentável, o que levou a Secretaria de Turismo a estabelecer a venda de ingressos para o desfile. A partir de então, o carnaval carioca começou a adotar, cada vez mais, um viés comercial e, além da cobrança para que os foliões pudessem assistir aos desfiles, a vendagem dos discos com gravações de sambas-enredo cresceu muito e o carnaval passou a ser filmado para divulgação no exterior.
No início dos anos 60, a popularização atingida pelos desfiles de carnaval fez com que o samba-enredo ascendesse e as marchinhas entrassem em declínio. O compositor José Roberto Kelly foi um dos últimos que obtiveram sucesso no ramo, com as famosas “Cabeleira do Zezé” e “Mulata Iê-Iê-Iê”. Após outorgado o AI-5 e a censura instalada sobre todas as áreas, poucos se arriscaram a compor marchinhas. Seu último marco foi “Balancê”, de João de Barro e Alberto Ribeiro que, apesar de ter sido lançada em 1937, só atingiu o sucesso nos anos 80, na voz de Gal Costa. Ainda assim, as marchinhas ficaram eternizadas na memória do carioca e de todo o Brasil, animando carnavais até os dias atuais.
Para otimizar a montagem das arquibancadas e promover um carnaval mais organizado, a Passarela do Samba, posteriormente chamada de Passarela do Professor Darcy Ribeiro e popularmente conhecida como Sambódromo, foi consagrada na Avenida Marquês de Sapucaí, no ano de 1983. A inauguração se deu durante o governo de Leonel Brizola e o projeto traz o nome do famoso arquiteto Oscar Niemeyer. No ano seguinte, as grandes escolas fundam a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (LIESA) promovendo um caráter mais empresarial e buscando maior autonomia na organização dos desfiles. As escolas de samba são uma forte manifestação cultural que vem se desenvolvendo e se modificando ao longo dos tempos. O preparo e trabalho árduo ocorrem durante todo o ano, desde o término do desfile até o início do próximo no ano seguinte. Cada vez mais aprumadas de técnica, emoção e alegria, são um marco na história do carnaval carioca. Todos os anos, uma série de escolas de samba enfeita o Sambódromo e encantam foliões de todas as partes, como Portela, Salgueiro, Mangueira, Beija-Flor, Mocidade Independente, Império Serrano, Vila Isabel, Estácio, Imperatriz Leopoldinense, Grande Rio, Porto da Pedra, Unidos da Tijuca e Viradouro. Ainda que o glamour da folia esteja concentrado na Passarela Professor Darcy Ribeiro, o carnaval de rua ainda é palco das maiores e mais originais manifestações culturais. Embora os cordões já tenham sido extintos há algum tempo, o “Cordão da Bola Preta” mantém o nome até os dias atuais, sendo um dos mais tradicionais clubes da festa carioca. Muitos blocos oficias (como “O Bafo da Onça” e “Boêmios do Irajá”) e não oficiais (como “Suvaco de Cristo” e o “Monobloco”, recém criado) existem na cidade maravilhosa e arrastam multidões, expressando o que o carnaval de rua tem de melhor.
Texto de Natália Boaventura e Isabella Verdolin
Para saber mais sobre o carnaval do Rio de Janeiro, acesse :
http://liesa.globo.com
http://www.papodesamba.com.br
http://www.cordaodabolapreta.com.br
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Carnaval em Pernambuco
Apesar da origem do carnaval ser um tanto incerta, a primeira comemoração carnavalesca do Brasil ocorreu no ano de 1641, em homenagem ao rei Dom João IV, com a organização do governador Salvador Correia de Sá e Benevides. Originalmente, carnaval consiste em um conjunto de festejos populares caracterizados pela liberdade de expressão e movimento, provenientes de ritos e costumes pagãos. Apesar de ocorrerem em diversos países, as festividades adquiriram características distintas mundo afora.
O carnaval do Brasil é famoso pela variedade de ritmos, cores e etnias. Ao contrário das festas no Rio de Janeiro e Salvador, que trazem consigo um discreto viés comercial, o carnaval comemorado em Recife e Olinda é centralmente popular. Não existe nenhuma espécie de sambódromo e escolas de samba. Grupos formados por amigos e familiares, conhecidos como troças, saem às ruas. Todos os eventos são gratuitos, não existem abadás e o circuito a ser percorrido não é previamente estabelecido, havendo apenas os dias para o começo e fim. Além disso, os ritmos são basicamente tocados pelos próprios foliões que, como bom carnavalescos, “dançam conforme a música”.
Recife é conhecida como a capital multicultural brasileira, abrigando, em seu carnaval de rua, músicas e danças provindas do frevo, maracatu, caboclinho, ciranda, coco-de-roda, samba, afoxé, rock, reggae e manguebeat. Graças à harmoniosa combinação entre diversidade, história, lirismo e irreverência, as festas pernambucanas estão cada vez mais sendo reconhecidas como de grande importância turística e cultural no Brasil.Com muita animação, o carnaval começa uma semana antes da data oficial. A festa é aberta com a entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo e à Rainha do carnaval na Praça do Marco Zero. No dia seguinte, logo no começo da manhã, mais de um milhão de foliões reúnem-se no centro da capital com o tradicional bloco Galo da Madrugada, o maior do mundo segundo o Guiness Book. Fundado em janeiro de 1978, o bloco surgiu com base na idéia de resgatar o carnaval de rua, que nessa época havia perdido força e adeptos.
Desde a abertura até a quarta-feira de cinzas, o comando da folia fica a cargo dos foliões, embalados pelos blocos de diversos ritmos. No cais da rua Alfândega, às margens do rio Capibaribe, localiza-se o palco do “Festival Rec Beat”, no Pólo Mangue, que promove o encontro da músicas tradicional com tendências modernas. Outro evento bastante apreciado pelos foliões e que chama a atenção da mídia é a “Noite dos Tambores Silenciosos”, no Pólo Afro, em que é realizada uma homenagem aos escravos por meio da mistura do candomblé e dos maracatus.
O Frevo em todas as suas formas é o mais reconhecido dos ritmos do carnaval pernambucano, reunindo multidões que dançam ao som da orquestra. A palavra vem de “ferver”, que na linguagem simples do povo, era pronunciada “frever”, mas sempre significou agitação, fervura, efervescência. Seja “Frevo de Rua” (somente instrumental), “Frevo Canção” (típico frevo de rua, com andamento melódico) ou “Frevo de Bloco” (com orquestra de pau e cordas), a agitação toma conta de Recife e Olinda, atraindo foliões de todas as partes do Brasil e do mundo, sem deixar de ter espaço para os habitantes de Pernambuco, com presença de artistas locais, nacionais e internacionais e grandes orquestras.
Na cidade de Olinda, o carnaval atinge um caráter ainda mais popular do que em Recife, preservando as mais puras tradições da folia pernambucana e nordestina. Desde 1977, a comissão julgadora, a passarela e o palanque das autoridades foram abolidos do carnaval da cidade, o que permitiu à festa assumir o perfil eminentemente popular que a caracteriza hoje. Todos os anos, centenas de agremiações carnavalescas e foliões desfilam pelas ruas e ladeiras da cidade.
Festa sem censuras, as sátiras políticas encontram-se muito presentes no carnaval de Olinda, tanto na forma de marchas, quanto na de bonecos e fantasias. Nos últimos anos, tornou-se bastante comum a presença de ícones como Osama Bin Laden, George Bush, Lula e outras figuras que são destaque no noticiário nacional e internacional. Os blocos carnavalescos da cidade concentram-se na esquina conhecida como “Quatro Cantos”, localizada entre as ruas Prudente de Moraes, do Amparo, Bernardo Vieira de Melo e Ladeira da Misericórdia.
Ao som de orquestras de frevo, maracatu, coco-de-roda, pau-e-corda, ciranda e caboclinho, Olinda se transforma em um grande baile a céu aberto, atraindo pierrôs, colombinas e bonecos gigantes para a festa.Datados das procissões do século XV, os bonecos gigantes são herança européia e, enquanto lá, acompanhavam os cortejos religiosos, aqui, enfeitam a maior festa pagã. A cada ano, são criados bonecos de novos tipos e, atualmente, totalizam mais de cem personagens pelas ladeiras da cidade. Na Terça-Feira Gorda, assim chamada por ser o último dia antes do início da Quaresma, os bonecos gigantes, com mais de 3 metros de altura, se reúnem entre os largos de Guadalupe e do Varadouro, encontro que atrai a atenção de milhares de foliões e acrescenta originalidade e animação à festa. São os personagens mais famosos do carnaval de Olinda e considerados uma marca da festa na cidade.
O boneco mais famoso de Olinda, o “Homem da Meia-Noite”, foi o primeiro a sair às ruas, em 1932. Comandou a festa sozinho até 1967, ano em que surgiu a “Mulher do Dia”, sua companheira, dando espaço para, em 1974, ser criado o “Menino da tarde”, completando a família. Atualmente, o “Homem da Meia-Noite” é o responsável por dar início ao carnaval olindense à zero hora do sábado de Zé Pereira, que passou a ser assim nomeado ainda no Brasil Colônia, quando grupos de portugueses, os “Zés Pereiras”, saíam às ruas tocando grandes tambores e anunciando o começo da festa.
A folia termina na quarta-feira, com o tradicional desfile do bloco “Bacalhau do Batata”, fundado em 1965. Sua origem é ligada ao garçom Isaías Ferreira da Silva, o Batata, que achava justo poder brincar o carnaval após quatro dias de trabalho. O bloco percorre as ruas de Olinda até a Praça da Prefeitura e, tradicionalmente, sempre reuniu profissionais que trabalharam durante os quatro dias do carnaval, como taxistas, faxineiros, policiais e motoristas de ônibus. Apesar de Isaías ter falecido no ano de 1993, sua idéia vingou e, atualmente, grande parte da classe média integra o bloco, que continua mantendo a mesma animação.
Texto de Natália Boaventura e Isabella Verdolin
O carnaval do Brasil é famoso pela variedade de ritmos, cores e etnias. Ao contrário das festas no Rio de Janeiro e Salvador, que trazem consigo um discreto viés comercial, o carnaval comemorado em Recife e Olinda é centralmente popular. Não existe nenhuma espécie de sambódromo e escolas de samba. Grupos formados por amigos e familiares, conhecidos como troças, saem às ruas. Todos os eventos são gratuitos, não existem abadás e o circuito a ser percorrido não é previamente estabelecido, havendo apenas os dias para o começo e fim. Além disso, os ritmos são basicamente tocados pelos próprios foliões que, como bom carnavalescos, “dançam conforme a música”.
Recife é conhecida como a capital multicultural brasileira, abrigando, em seu carnaval de rua, músicas e danças provindas do frevo, maracatu, caboclinho, ciranda, coco-de-roda, samba, afoxé, rock, reggae e manguebeat. Graças à harmoniosa combinação entre diversidade, história, lirismo e irreverência, as festas pernambucanas estão cada vez mais sendo reconhecidas como de grande importância turística e cultural no Brasil.Com muita animação, o carnaval começa uma semana antes da data oficial. A festa é aberta com a entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo e à Rainha do carnaval na Praça do Marco Zero. No dia seguinte, logo no começo da manhã, mais de um milhão de foliões reúnem-se no centro da capital com o tradicional bloco Galo da Madrugada, o maior do mundo segundo o Guiness Book. Fundado em janeiro de 1978, o bloco surgiu com base na idéia de resgatar o carnaval de rua, que nessa época havia perdido força e adeptos.
Desde a abertura até a quarta-feira de cinzas, o comando da folia fica a cargo dos foliões, embalados pelos blocos de diversos ritmos. No cais da rua Alfândega, às margens do rio Capibaribe, localiza-se o palco do “Festival Rec Beat”, no Pólo Mangue, que promove o encontro da músicas tradicional com tendências modernas. Outro evento bastante apreciado pelos foliões e que chama a atenção da mídia é a “Noite dos Tambores Silenciosos”, no Pólo Afro, em que é realizada uma homenagem aos escravos por meio da mistura do candomblé e dos maracatus.
O Frevo em todas as suas formas é o mais reconhecido dos ritmos do carnaval pernambucano, reunindo multidões que dançam ao som da orquestra. A palavra vem de “ferver”, que na linguagem simples do povo, era pronunciada “frever”, mas sempre significou agitação, fervura, efervescência. Seja “Frevo de Rua” (somente instrumental), “Frevo Canção” (típico frevo de rua, com andamento melódico) ou “Frevo de Bloco” (com orquestra de pau e cordas), a agitação toma conta de Recife e Olinda, atraindo foliões de todas as partes do Brasil e do mundo, sem deixar de ter espaço para os habitantes de Pernambuco, com presença de artistas locais, nacionais e internacionais e grandes orquestras.
Na cidade de Olinda, o carnaval atinge um caráter ainda mais popular do que em Recife, preservando as mais puras tradições da folia pernambucana e nordestina. Desde 1977, a comissão julgadora, a passarela e o palanque das autoridades foram abolidos do carnaval da cidade, o que permitiu à festa assumir o perfil eminentemente popular que a caracteriza hoje. Todos os anos, centenas de agremiações carnavalescas e foliões desfilam pelas ruas e ladeiras da cidade.
Festa sem censuras, as sátiras políticas encontram-se muito presentes no carnaval de Olinda, tanto na forma de marchas, quanto na de bonecos e fantasias. Nos últimos anos, tornou-se bastante comum a presença de ícones como Osama Bin Laden, George Bush, Lula e outras figuras que são destaque no noticiário nacional e internacional. Os blocos carnavalescos da cidade concentram-se na esquina conhecida como “Quatro Cantos”, localizada entre as ruas Prudente de Moraes, do Amparo, Bernardo Vieira de Melo e Ladeira da Misericórdia.
Ao som de orquestras de frevo, maracatu, coco-de-roda, pau-e-corda, ciranda e caboclinho, Olinda se transforma em um grande baile a céu aberto, atraindo pierrôs, colombinas e bonecos gigantes para a festa.Datados das procissões do século XV, os bonecos gigantes são herança européia e, enquanto lá, acompanhavam os cortejos religiosos, aqui, enfeitam a maior festa pagã. A cada ano, são criados bonecos de novos tipos e, atualmente, totalizam mais de cem personagens pelas ladeiras da cidade. Na Terça-Feira Gorda, assim chamada por ser o último dia antes do início da Quaresma, os bonecos gigantes, com mais de 3 metros de altura, se reúnem entre os largos de Guadalupe e do Varadouro, encontro que atrai a atenção de milhares de foliões e acrescenta originalidade e animação à festa. São os personagens mais famosos do carnaval de Olinda e considerados uma marca da festa na cidade.
O boneco mais famoso de Olinda, o “Homem da Meia-Noite”, foi o primeiro a sair às ruas, em 1932. Comandou a festa sozinho até 1967, ano em que surgiu a “Mulher do Dia”, sua companheira, dando espaço para, em 1974, ser criado o “Menino da tarde”, completando a família. Atualmente, o “Homem da Meia-Noite” é o responsável por dar início ao carnaval olindense à zero hora do sábado de Zé Pereira, que passou a ser assim nomeado ainda no Brasil Colônia, quando grupos de portugueses, os “Zés Pereiras”, saíam às ruas tocando grandes tambores e anunciando o começo da festa.
A folia termina na quarta-feira, com o tradicional desfile do bloco “Bacalhau do Batata”, fundado em 1965. Sua origem é ligada ao garçom Isaías Ferreira da Silva, o Batata, que achava justo poder brincar o carnaval após quatro dias de trabalho. O bloco percorre as ruas de Olinda até a Praça da Prefeitura e, tradicionalmente, sempre reuniu profissionais que trabalharam durante os quatro dias do carnaval, como taxistas, faxineiros, policiais e motoristas de ônibus. Apesar de Isaías ter falecido no ano de 1993, sua idéia vingou e, atualmente, grande parte da classe média integra o bloco, que continua mantendo a mesma animação.
Texto de Natália Boaventura e Isabella Verdolin
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Verão: estação Bossa Nova
Não por acaso, Garota de Ipanema é a primeira melodia que nos vem à cabeça quando pensamos em Bossa Nova. Além de ser o grande sucesso deste estilo musical, reúne os elementos típicos da estação que é a mais quente no Brasil. Nos idos da década de 50, jovens sedentos por música – boa música – se reuniam para tocar e cantar. Muitos deles compunham. E assim, em tardes banhadas de sol, à beira mar no Rio de Janeiro, foi nascendo a Bossa Nova.
Chegadas
No verão, no mês de janeiro, vieram ao mundo dois grandes nomes desse ritmo: Tom Jobim e Nara Leão. Ele chegou primeiro, no dia 25, em 1927. Ainda menino, aprendeu a tocar piano e mais tarde, fascinado por diferentes sons, teve aulas de flauta, harmônica de boca e violão. Apesar de ter ingressado na área de arquitetura, logo percebeu que seu talento para música não podia ser desperdiçado e, como pianista, trabalhou na Rádio Clube do Brasil e passou pelas principais casas do Rio de Janeiro. Com o objetivo de se aperfeiçoar como músico, posteriormente, teve aulas de orquestração com Leo Peracchi e Tomás de Terán. Em 1952 trabalhava como arranjador na Continental e foi nessa época que começou a compor suas próprias canções. Incerteza foi a primeira de muitas e belas músicas que estavam por vir. O disco lançado em 1958, “Canção do Amor Demais”, com composições de Tom e Vinicius na voz de Elizeth Cardoso e que, além da orquestra, tiveram o acompanhamento do violão de João Gilberto em algumas faixas, é considerado o marco inaugural da Bossa Nova. No ano seguinte, o LP “Chega de Saudade”, interpretado por João e com arranjos e direção musical de Tom, delineou os rumos que a música popular brasileira iria tomar dali em diante.
Nara Leão nasceu em 1946, no dia 19. Na adolescência, teve aulas de violão com Sólon Ayala e Patrício Teixeira. Sua timidez não impediu que despontasse como musa da Bossa Nova, inovando estéticas e mostrando-se engajada social e politicamente, tendo a voz como a sua principal arma. Quando estreou como cantora, o Maestro Jobim já era conhecido internacionalmente, tendo sido destaque do Festival de Bossa Nova do Camegie Hall, na cidade de Nova York. 1963 trouxe “Garota de Ipanema” e a estréia de Nara Leão, no musical “Pobre Menina Rica” de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Provocou polêmica em seu primeiro LP, lançado um ano depois, devido ao repertório diferenciado que, além da Bossa Nova, incluía diversos “sambas-do-morro” de Cartola e Nelson Cavaquinho. Ao final de 64, participou do espetáculo “Opinião” ao lado de Zé Kéti e João do Vale, que, além de ter sido um dos mais importantes da época, foi também um dos pioneiros a contestar o regime militar. Entre outros prêmios, venceu o Festival da TV Record de 1966 cantando A Banda, de Chico Buarque, que dividiu o primeiro lugar com Disparada, na voz de Jair Rodrigues. No ano de 1968, Nara Leão fez parte do movimento Tropicalista, participando do famoso disco “Tropicália ou Panis Et Circences”. Nos anos posteriores, passou um tempo na França e, sob o charme e encantamento francês, voltou à dedicar-se à Bossa Nova, gravando dois LPs formados por esse repertório. Depois disso, levou o ritmo à Nova York, Europa e Japão, tendo, neste último, um público muito cativo.
Tom Jobim aproveitou seu sucesso nos Estados Unidos e por lá compôs muito - inclusive em inglês, gravou discos, participou de vários shows e fundou a Corcovado Music, sua própria editora. Além de gravar com Frank Sinatra, um dos grandes mitos americanos, Tom fez parceria com célebres cantores brasileiros, como Elis Regina, Miúcha e Edu Lobo. Era um ecologista ativo e não deixava de passear no Central Park quando estava em Nova York. Seus discos sempre trouxeram belas canções sobre a temática da preservação ambiental, como “Urubu” (1976) e “Passarim” (1987).
Nara Leão foi quem partiu primeiro. Em 7 de junho de 1989, aos 47 anos, faleceu devido a um tumor inoperável no cérebro, deixando a Bossa sem a sua musa de belos joelhos. O CD “Antônio Brasileiro”, o último de Tom Jobim, foi lançado em dezembro de 1994, pouco antes de sua morte no dia 8, nos Estados Unidos. Após uma cirurgia para extrair dois tumores na bexiga, Tom faleceu em decorrência de um coágulo sanguíneo parado em seu pulmão, tendo sido enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Partidas
Texto de Isabella Verdolin e Natália Boaventura.
Chegadas
No verão, no mês de janeiro, vieram ao mundo dois grandes nomes desse ritmo: Tom Jobim e Nara Leão. Ele chegou primeiro, no dia 25, em 1927. Ainda menino, aprendeu a tocar piano e mais tarde, fascinado por diferentes sons, teve aulas de flauta, harmônica de boca e violão. Apesar de ter ingressado na área de arquitetura, logo percebeu que seu talento para música não podia ser desperdiçado e, como pianista, trabalhou na Rádio Clube do Brasil e passou pelas principais casas do Rio de Janeiro. Com o objetivo de se aperfeiçoar como músico, posteriormente, teve aulas de orquestração com Leo Peracchi e Tomás de Terán. Em 1952 trabalhava como arranjador na Continental e foi nessa época que começou a compor suas próprias canções. Incerteza foi a primeira de muitas e belas músicas que estavam por vir. O disco lançado em 1958, “Canção do Amor Demais”, com composições de Tom e Vinicius na voz de Elizeth Cardoso e que, além da orquestra, tiveram o acompanhamento do violão de João Gilberto em algumas faixas, é considerado o marco inaugural da Bossa Nova. No ano seguinte, o LP “Chega de Saudade”, interpretado por João e com arranjos e direção musical de Tom, delineou os rumos que a música popular brasileira iria tomar dali em diante.
Nara Leão nasceu em 1946, no dia 19. Na adolescência, teve aulas de violão com Sólon Ayala e Patrício Teixeira. Sua timidez não impediu que despontasse como musa da Bossa Nova, inovando estéticas e mostrando-se engajada social e politicamente, tendo a voz como a sua principal arma. Quando estreou como cantora, o Maestro Jobim já era conhecido internacionalmente, tendo sido destaque do Festival de Bossa Nova do Camegie Hall, na cidade de Nova York. 1963 trouxe “Garota de Ipanema” e a estréia de Nara Leão, no musical “Pobre Menina Rica” de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Provocou polêmica em seu primeiro LP, lançado um ano depois, devido ao repertório diferenciado que, além da Bossa Nova, incluía diversos “sambas-do-morro” de Cartola e Nelson Cavaquinho. Ao final de 64, participou do espetáculo “Opinião” ao lado de Zé Kéti e João do Vale, que, além de ter sido um dos mais importantes da época, foi também um dos pioneiros a contestar o regime militar. Entre outros prêmios, venceu o Festival da TV Record de 1966 cantando A Banda, de Chico Buarque, que dividiu o primeiro lugar com Disparada, na voz de Jair Rodrigues. No ano de 1968, Nara Leão fez parte do movimento Tropicalista, participando do famoso disco “Tropicália ou Panis Et Circences”. Nos anos posteriores, passou um tempo na França e, sob o charme e encantamento francês, voltou à dedicar-se à Bossa Nova, gravando dois LPs formados por esse repertório. Depois disso, levou o ritmo à Nova York, Europa e Japão, tendo, neste último, um público muito cativo.
Tom Jobim aproveitou seu sucesso nos Estados Unidos e por lá compôs muito - inclusive em inglês, gravou discos, participou de vários shows e fundou a Corcovado Music, sua própria editora. Além de gravar com Frank Sinatra, um dos grandes mitos americanos, Tom fez parceria com célebres cantores brasileiros, como Elis Regina, Miúcha e Edu Lobo. Era um ecologista ativo e não deixava de passear no Central Park quando estava em Nova York. Seus discos sempre trouxeram belas canções sobre a temática da preservação ambiental, como “Urubu” (1976) e “Passarim” (1987).
Nara Leão foi quem partiu primeiro. Em 7 de junho de 1989, aos 47 anos, faleceu devido a um tumor inoperável no cérebro, deixando a Bossa sem a sua musa de belos joelhos. O CD “Antônio Brasileiro”, o último de Tom Jobim, foi lançado em dezembro de 1994, pouco antes de sua morte no dia 8, nos Estados Unidos. Após uma cirurgia para extrair dois tumores na bexiga, Tom faleceu em decorrência de um coágulo sanguíneo parado em seu pulmão, tendo sido enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.Partidas
O verão brasileiro também sofreu com o silêncio. Duas mulheres de timbre único partiram deste mundo no mês de janeiro, de maneira inesperada e trágica: Maysa e Elis Regina.
Nascida em 6 de junho de 1936, Maysa Monjardim era dona de dois olhos que podiam expressar muito mais que as palavras que lhe saíam da boca. “Os olhos de Maysa são dois não sei o quê, dois não como diga, dois Oceanos Não-Pacíficos”, assim escreveu Manuel Bandeira em seu livro "Estrela da Vida Inteira". Cantora inquietante e compositora notável, Maysa, filha de uma rica e tradicional família do Espírito Santo, gostava de romper os padrões da época e, aos 18 anos, casou-se com André Matarazzo, quase 20 anos mais velho que ela. Com ele, teve seu único filho, Jayme Monjardim, que, mais tarde, tornou-se diretor de novelas da Rede Globo de Televisão. Seu primeiro disco, "Convite para ouvir Maysa” foi lançado em quatro volumes entre os anos de 1956 e 1959 e foi um sucesso, com canções como Ouça, Meu mundo caiu e Adeus. O marido não aceitava sua carreira e, após muitos desentendimentos, o casamento chegou ao fim. Maysa teve grande dificuldade em lidar com a separação e, desde então, começou a ter problemas com bebidas e a aparecer constantemente na mídia em manchetes polêmicas.
Em 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a ter contato com a Bossa Nova, gravando o disco “Barquinho”, pela Columbia, um marco em sua carreira e na música popular brasileira. Com o sucesso, viajou por todo o país e pelo mundo, chegando a se apresentar no Olympia em Paris, no Estoril em Portugal e no Blue Angel, em Nova York. Dona de uma voz singular, meio rouca e aveludada e de um espírito indomável, a cantora tornou-se a musa da melancolia devido às mensagens de solidão e “fossa” características de suas canções.
“Sempre vou viver como kamikaze; é isso que me faz ficar de pé”, afirmou a maior cantora da música popular brasileira, que soltou seu primeiro som em 17 de março de 1945. Carinhosamente conhecida como “Pimentinha”, Elis Regina, a pequena gaúcha de 1,53m, encantou o Brasil e o mundo com sua voz única, que aliava uma peculiar técnica à sublime emoção. Em intensos 18 anos de carreira, foram 27 LPs, 14 compactos simples e 6 duplos. Morando do Rio de Janeiro desde que atingiu a maioridade, Elis venceu o Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior no ano de 1965, cantando Arrastão, de Edu Lobo. A cantora gravou uma série de composições dos ainda pouco conhecidos Milton Nascimento, Belchior e Ivan Lins. Com Jair Rodrigues, um de seus maiores parceiros, gravou “Dois na Bossa” e, também ao seu lado, apresentou um dos programas mais importantes para a música nacional, “O Fino da Bossa”, com estréia em 65, na TV Record. Ao cantar nas TVs inglesa, belga, sueca, holandesa e suíça, Elis Regina atingiu o auge da sua carreira. Em 1974, nos Estados Unidos, ganhou fama com o disco “Elis e Tom”, feito em parceria com o maestro Tom Jobim. Seu maior show foi “Falso Brilhante”, assistido por cerca de 280 mil pessoas e muito lembrado até os dias atuais. Um de seus maiores sucessos, O Bêbado e o Equilibrista foi gravado em 1979, com autoria de João Bosco e Aldir Blanc, a mesma dupla que lhe forneceria outros inúmeros sucessos, como Mestre-sala dos Mares, Caçador de Esmeraldas e Dois pra lá, dois pra cá.
Em 22 de janeiro de 1977, o Brasil viu os olhos de oceanos se fecharem e a voz de veludo se calar. Maysa morreu num trágico acidente de automóvel na ponte Rio-Niterói, aos 40 anos, num fim de tarde que não se pode esquecer. Em janeiro de 2009, a Rede Globo exibiu a minissérie “Maysa – Quando fala o coração” em 9 capítulos do escritor Manoel Carlos e direção de Jayme Monjardim, filho da cantora. Cinco anos mais tarde, em 19 de janeiro de 1982, novamente o silêncio: os rádios e emissoras de televisão noticiavam que Elis Regina havia sido encontrada morta em seu apartamento em São Paulo. Aos 36 anos, a cantora faleceu em decorrência de uma overdose de cocaína e bebida alcoólica. Sua morte provocou um choque nacional. Sepultada no Cemitério do Morumbi, ainda hoje recebe a visita de milhares de fãs todos os anos. Deixou como legado o talento de seus três filhos, João Marcelo, Pedro Mariano e Maria Rita, tendo esta última um timbre vocal muito semelhante ao da mãe.
Em 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a ter contato com a Bossa Nova, gravando o disco “Barquinho”, pela Columbia, um marco em sua carreira e na música popular brasileira. Com o sucesso, viajou por todo o país e pelo mundo, chegando a se apresentar no Olympia em Paris, no Estoril em Portugal e no Blue Angel, em Nova York. Dona de uma voz singular, meio rouca e aveludada e de um espírito indomável, a cantora tornou-se a musa da melancolia devido às mensagens de solidão e “fossa” características de suas canções.
“Sempre vou viver como kamikaze; é isso que me faz ficar de pé”, afirmou a maior cantora da música popular brasileira, que soltou seu primeiro som em 17 de março de 1945. Carinhosamente conhecida como “Pimentinha”, Elis Regina, a pequena gaúcha de 1,53m, encantou o Brasil e o mundo com sua voz única, que aliava uma peculiar técnica à sublime emoção. Em intensos 18 anos de carreira, foram 27 LPs, 14 compactos simples e 6 duplos. Morando do Rio de Janeiro desde que atingiu a maioridade, Elis venceu o Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior no ano de 1965, cantando Arrastão, de Edu Lobo. A cantora gravou uma série de composições dos ainda pouco conhecidos Milton Nascimento, Belchior e Ivan Lins. Com Jair Rodrigues, um de seus maiores parceiros, gravou “Dois na Bossa” e, também ao seu lado, apresentou um dos programas mais importantes para a música nacional, “O Fino da Bossa”, com estréia em 65, na TV Record. Ao cantar nas TVs inglesa, belga, sueca, holandesa e suíça, Elis Regina atingiu o auge da sua carreira. Em 1974, nos Estados Unidos, ganhou fama com o disco “Elis e Tom”, feito em parceria com o maestro Tom Jobim. Seu maior show foi “Falso Brilhante”, assistido por cerca de 280 mil pessoas e muito lembrado até os dias atuais. Um de seus maiores sucessos, O Bêbado e o Equilibrista foi gravado em 1979, com autoria de João Bosco e Aldir Blanc, a mesma dupla que lhe forneceria outros inúmeros sucessos, como Mestre-sala dos Mares, Caçador de Esmeraldas e Dois pra lá, dois pra cá.
Em 22 de janeiro de 1977, o Brasil viu os olhos de oceanos se fecharem e a voz de veludo se calar. Maysa morreu num trágico acidente de automóvel na ponte Rio-Niterói, aos 40 anos, num fim de tarde que não se pode esquecer. Em janeiro de 2009, a Rede Globo exibiu a minissérie “Maysa – Quando fala o coração” em 9 capítulos do escritor Manoel Carlos e direção de Jayme Monjardim, filho da cantora. Cinco anos mais tarde, em 19 de janeiro de 1982, novamente o silêncio: os rádios e emissoras de televisão noticiavam que Elis Regina havia sido encontrada morta em seu apartamento em São Paulo. Aos 36 anos, a cantora faleceu em decorrência de uma overdose de cocaína e bebida alcoólica. Sua morte provocou um choque nacional. Sepultada no Cemitério do Morumbi, ainda hoje recebe a visita de milhares de fãs todos os anos. Deixou como legado o talento de seus três filhos, João Marcelo, Pedro Mariano e Maria Rita, tendo esta última um timbre vocal muito semelhante ao da mãe. Texto de Isabella Verdolin e Natália Boaventura.
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